CONTAMINAÇÕES EM HPLC

CONTAMINAÇÕES EM HPLC

Quem trabalha com HPLC sabe: por mais robusto que seja o método, chega uma hora em que o
cromatógrafo começa a dar sinais de cansaço. Picos fantasmas, aumento de pressão, linha de base
instável… sintomas clássicos de que o sistema ou a coluna estão contaminados.

Mas nem toda contaminação é igual, e nem toda limpeza funciona (Flushing) para qualquer caso. É aqui
que entra a importância de entender o que está sujando seu sistema para escolher o solvente certo para
limpar.

A regra do “semelhante dissolve semelhante” se aplica bem aqui. Orgânicos são melhor removidos por
orgânicos, sais saem com solventes polares, metais pedem complexantes específicos.

Alguns exemplos práticos:
Contaminações orgânicas comuns
Flushing com isopropanol costuma ser suficiente. Em muitos casos, alternar metanol → isopropanol →
acetonitrila limpa depósitos acumulados sem agredir a coluna.

Orgânicos persistentes (THF, DMSO, DMF, éteres)
São mais difíceis. Nessas situações, recorrer a solventes menos usuais (como éter etílico ou até hexano,
em último caso) pode ser necessário.

Sais inorgânicos
Limpeza com água pura ou misturas como metanol/água (50/50) resolve boa parte dos casos. Água
quente (~80 °C) é extremamente eficaz; mas atenção: acelera a dissolução da sílica.

Íons metálicos
Pouco lembrados, mas devastadores para cromatografia. Podem ser eliminados com soluções de EDTA
10–20 mmol.

Contaminação biológica (algas, fungos, bactérias)
Sim, até isso pode aparecer em fases móveis mal armazenadas. Recomenda-se peróxido de hidrogênio 3%
(e armazenar com azida de sódio 0,05 na fase aquosa, se foi o caso) para sanitização do sistema.

Além do que usar, é fundamental pensar em como usar.

 Sempre finalize a limpeza com fase contendo pelo menos 20% de orgânico (como acetonitrila) antes
de deixar o equipamento parado (isso previne crescimento microbiano).
 Não economize: em HPLC, “mais é melhor” muitas vezes se aplica. Flushing de 30–50 mL por
corrida é considerado adequado.
 Após qualquer limpeza, injete 20 µL de eluente duas vezes e avalie a linha de base. Se não houver
picos estranhos, o sistema está pronto.

Exemplo de rotina: foram detectados picos fantasmas em um método de impurezas. Depois de descartar
solvente e amostra como causas, descobriu que depósitos metálicos acumulados no frit da coluna eram o
problema. A limpeza com EDTA devolveu a performance. Resultado: cromatograma limpo e confiança
nos dados restabelecida.

Em termos técnicos, o flushing em HPLC não deve ser tratado como um procedimento trivial ou “de
praxe”: ele é uma estratégia de manutenção preventiva e corretiva. Escolher o solvente certo, na

concentração adequada, garante a remoção direcionada de contaminantes, aumenta a vida útil da coluna e
preserva a confiabilidade do sistema.

Autor: Carlos Eduardo Rodrigues Costa

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